CFF reafirma posição contrária ao EaD na graduação em Farmácia

A agenda do Conselho Federal de Farmácia (CFF) em Fortaleza, durante o XII Congresso Brasileiro de Farmácia Hospitalar, realizado de 23 a 25 de maio, incluiu mais uma atividade contra o Ensino a Distância (EaD) na graduação em saúde. Reafirmando sua posição em defesa do ensino presencial e de qualidade na formação de profissionais da saúde, o CFF esteve representado na audiência pública realizada na última sexta-feira (24), na Comissão de Ciência, Tecnologia e Educação Superior da Assembleia Legislativa do Ceará. Também esteve presente a secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (SGTES) do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro.

O CFF foi representado pelos conselheiros federais de Farmácia, Luis Cláudio Mapurunga da Frota (CE) e Gustavo Pires (PR). A professora Zilamar Costa, presidente da Comissão Assessora em Educação Farmacêutica (Caef) apresentou aos deputados um panorama do EaD no Brasil. Ela reafirmou a posição contrária do CFF a essa modalidade de ensino. O conselho, que já vinha liderando ações contra essa modalidade de ensino, anunciou, em fevereiro, a proibição de registro de diplomas de egressos de cursos EaD pelos conselhos regionais de Farmácia.

Zilamar Costa ressaltou que a posição contrária não tem foco nas tecnologias ou na ferramenta de EaD, mas na desregulamentação e falta de critério com que esses cursos vem se desenvolvendo. Ela citou regras de flexibilização colocadas em prática a partir de 2017 que agravaram a situação dos cursos EaD. Entre essas regras, a autonomia em criar polos de ensino a distância e a autorização de funcionamento sem vistoria. Segundo Zilamar, atualmente, existem mais de um milhão de vagas EaD nos cursos da área da saúde. “Em nome da inclusão de jovens no ensino superior, está ocorrendo uma banalização da educação. A área da saúde, por todas as suas peculiaridades e características de integração com o ser humano, não se identifica com a modalidade de ensino EAD para cursos de graduação”, ressaltou.

O conselheiro federal de Farmácia pelo estado do Ceará, Luís Cláudio Mapurunga da Frota, que compôs a mesa do debate, fez uma defesa contundente do ensino presencial. “Como é que um estudante de Farmácia vai aprender a manipular um medicamento sem um graal, no ambiente de sua casa? É impossível que disciplinas que envolvem a construção de habilidades e prática sejam ensinadas a distância. E o estado precisa ter responsabilidade com a saúde das pessoas. Os conselhos de Farmácia, que são autarquias públicas federais e estão trabalhando em nome do Estado, validarem diplomas de cursos EaD é um crime”, ressaltou.

A representante do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou que o entendimento do órgão é de que não se deve mais autorizar abertura de cursos a distância na área da saúde no Brasil. Ela comentou que o Ministério começou um estudo de todos os cursos EAD do País sob o princípio da responsabilidade bioética.

Fonte: CFF

Foto: Shutterstock


CFF proíbe registro de diplomas de cursos EaD

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