8º Fórum Lide da Saúde e Bem-Estar aborda avanços da medicina e da longevidade

A oitava edição do Fórum da Saúde e Bem-Estar debateu os avanços da medicina, estilo de vida, longevidade, reforço na atenção primária, doenças raras e tendências do setor com autoridades públicas, especialistas e dirigentes de empresas. Realizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (LIDE), o evento aconteceu no hotel Grand Hyatt, em São Paulo (SP).

O secretário de saúde do estado de São Paulo, José Henrique Germann, destacou durante a abertura do evento que o financiamento do SUS responde atualmente por 16% do orçamento do Ministério da Saúde. “Mas essa participação deve aumentar para 21%”, disse em referência ao recente anúncio da pasta comandada pelo ministro Luiz Henrique Mandetta.

Assuntos abordados nos painéis do Fórum

No primeiro painel, com o tema “Criatividade em Saúde: busca por novos modelos – avanços da Medicina”, a bióloga molecular, geneticista e professora titular de Genética do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Mayana Zatz, fez uma análise de como a genética pode auxiliar tratamentos mais sustentáveis e efetivos e citou como exemplo a edição de genes. “É possível modificar genes e já existem ensaios nessa área, mas temos questões éticas envolvidas, ainda não estamos prontos, pois ao editarmos um embrião transmitiremos as novas características para as gerações seguintes”, explicou.

Na sequência, o chefe da oncologia dos hospitais Samaritano e Paulistano, Raphael Brandão, comentou como o tratamento do câncer tem se transformado. “O câncer era uma doença rara e hoje já não é mais. Antigamente, analisávamos se um tumor era maligno ou não pelo seu tamanho, agora existem testes que dizem se um tumor é agressivo ou não. Daqui a algum tempo o câncer, provavelmente, será tratado como uma doença crônica, com o paciente vivendo por muitos anos, como os hipertensos”.

Já o presidente da Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein, Sidney Klajner, falou sobre inteligência artificial (IA). “Somente no sistema norte-americano, o uso da IA poderia reduzir cerca de US$ 150 bilhões em custos até 2026”, afirmou. No mesmo painel, neurologista e especialista em medicina do sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Fernando Morgadinho, fez um alerta: “Daqui a 20 anos, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e Alzheimer estarão no top five das principais causas de mortalidade. Alzheimer é um grande tendão de Aquiles e tem como fatores de risco hipertensão mal tratada, diabetes, alterações no sono, obesidade e sedentarismo”, disse.

O presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, Alexandre Kalache, deu o tom do segundo painel do fórum, que tratou de “Estilo de vida: a fórmula da longevidade”. “As universidades de Medicina deveriam ter disciplina de geriatria mesmo para os estudantes que não irão se formar nessa especialidade. Em alguns anos, os idosos serão a maioria dos pacientes”, alertou. O cardiologista e pesquisador do hospital Albert Einstein, Marcelo Katz, trouxe alguns dados importantes para o debate: “metade das 3 bilhões de prescrições realizadas anualmente nos Estados Unidos não são seguidas de maneira correta”. E surpreendeu o público ao revelar que “estudos robustos mostram diversos benefícios de práticas meditativas para a saúde”. Além disso, os atores Bruna Lombardi, que mantém o portal “Rede Felicidade”, e Carlos Alberto Riccelli também foram debatedores nesse painel.

Para falar de “Gestão da Saúde”, tema do terceiro painel do fórum, a vice-presidente do UnitedHealth Group ,Catia Porto, compartilhou os resultados do levantamento “Sinais Vitais” realizado com os colaboradores da companhia para identificar o que os deixavam felizes. “Quando um funcionário está contente, ele adoece menos e produz mais”, concluiu. A diretora-executiva do Alta Excelência Diagnóstica, que pertence à Dasa, Cláudia Cohn, falou sobre o programa “Desafio 90 dias”, que visa a melhoria da qualidade de vida dos colaboradores da companhia e engloba, por exemplo, parceria com uma academia. “Dos 20 mil colaboradores, seis mil estão engajados”, comentou. Por último, o vice-presidente da Medtronic, Miguel Velandia, abordou o tema desperdício. “Toda a cadeia [da saúde]está se organizando. Assim, o desperdício acontece quando um tratamento é indicado a um paciente que não precisa dele”, afirmou.

Além disso, o fundador e presidente da Casa Hunter, Antoine Daher, abriu o quarto painel, que teve “Doenças Raras” como tema. “Aproximadamente 13 milhões de pessoas possuem doenças raras no Brasil e, em cerca de 80% dos casos, a origem é genética”, lamentou. A geneticista e oftalmologista do Instituto de Genética Ocular, Juliana Sallum, falou sobre diagnóstico e tratamento de doenças raras a partir da oftalmologia. “O olho é sede de muitos problemas genéticos”, resumiu. A advogada especializada em doenças raras Rosângela Moro foi a última palestrante do fórum. “Temos que combater a má judicialização”, refletiu. Rosângela também defendeu o aumento de centros de referência no Brasil para tratamentos. “Em Portugal, que pode ser comparado em tamanho com Pernambuco, existem 15 centros de referência para tratar doenças raras. No Brasil, são somente sete.”

Prêmio LIDE Saúde e Bem-Estar

Durante o fórum foi entregue o Prêmio LIDE Saúde e Bem-Estar 2019. O prêmio é um reconhecimento às personalidades de destaque da área, entre eles o diretor de tecnologia e inovação da Associação Paulista de Medicina (APM), Antonio Carlos Endrigo; o ex-ministro da saúde José Gomes Temporão, que atualmente é diretor executivo do instituto Sul-Americano de Governo em Saúde; e a dermatologista e pesquisadora Shirlei Borelli. Também foram premiados o head de Cardiologia do Hospital Albert Einstein, Marcelo Franken, a CEO da Beneficência Portuguesa de São Paulo – BP, Denise Santos; entre outros. O prêmio realizou ainda uma homenagem especial ao presidente do Albert Einstein, Sidney Klajner, pela sua trajetória e importante contribuição ao setor.

Foto: Douglas Moreira Fonte: Grupo Doria

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